Almanaque vem do árabe al-manakh, que é o "lugar em que o camelo se ajoelha". Ponto de reunião dos beduínos para conversar e trocar informações sobre o dia-a–dia.


sexta-feira, 16 de junho de 2006

44º DIA - Cartão clonado

Demorou mas aconteceu comigo e como diria Carlos Drummond de Andrade: "não devemos servir de exemplo a ninguém mas podemos servir de lição".

Dia 13 de junho, véspera do primeiro jogo do Brasil na Copa do mundo, eis que saindo do trablaho às 14:00 horas resolvi passar em uma das agências do Banco Nossa Caixa e dar uma olhada nas finanças. Ao retirar um Extrato, qual não foi minha surpresa ao saber que restavam exatamente 0,00 centavos de Real em minha conta, e haviam dois saques, que eu não havia feito obviamente, sendo um no dia 12 e outro no dia 13 e que juntos zeraram as minhas finanças. No dia seguinte, procurei a Agência na qual tenho conta relatei o acontecido e o responsável tomou as medidas necessárias para o estorno do dinheiro (o que obviamente demorará mais alguns dias), e para o cancelamento do cartão e das senhas e letras de acesso. Prestei queixa na Policia Civil e agora é esperar a resolução dos fatos.
Aproveito para dizer também que em momento algum utilizei, em 13 anos e 3 meses dessa conta, a internet como ferramenta de consulta e nunca tive outros problemas com a mesma, por isso acredito que o mais provável e que tenha sido clonado o cartão em alguma agência das que utilizo para saques e pagamentos.
Assim vale o aviso de que é preciso redobrar o cuidado nas agências, e que suspeitando de qualquer adulteração ou falha nos caixas eletrônicos comunicar imediatamente o responsável pela mesma.
Enquanto não revejo o meu dinheiro, fica apenas a alegria de que ao menos ganhei o bolão com o resultado do primeiro jogo Brasil 1 X 0 Croácia. Quanto ao resultado Ladrão R$ 1.280,00 X R$ 0,00 Eu, afirmo que não me agradou muito.


sexta-feira, 7 de abril de 2006

Em ano de Campanha da Fraternidade....

Em ano de Campanha da Fraternidade como tema da integração dos portadores de deficiência e em ano de campanha eleitoral, não custa lembrar da fala da Dep. Denise Frossard, ex-juíza e atual deputada federal pelo PPS, após ter sido eleita pelo PSDB.
 
 

A deputada Denise Frossard (PSDB 2001-2004, PPS – 2004 -) deu o seguinte parecer de cunho nazista (em 2005), votando contra o projeto de lei que considera crime discriminar deficientes físicos :

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI807633-EI306,00.html

"A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição
em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros,
uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o
suporte seja uma criatura humana"


Cai como uma luva para a senhora, Dona Denise Frossard o texto de
Mário Quintana:

Dona Denise,

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando
as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter
consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome,
de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um
amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o
trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por
trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que
precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

Mário Quintana


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André Peres Barbosa de Castro
Médico Veterinário CRMV-SP 15031
Pós-Graduação em Medicina Veterinária
Saúde Animal, Saúde Pública Veterinária e Segurança Alimentar
FMVZ – UNESP – Botucatu

quarta-feira, 8 de março de 2006

43º DIA - Reuniões e reuniões...

Passei os dias 06, 07 e 08, incluindo o meu aniversário em reuniões para decisão de bolsas de pesquisa para alunos da pós-graduação da faculdade. Digo que nada pode ser tão moralmente cansativo e frustrante quanto isso, afinal, selecionamos alunos para posíveis bolsas que nem se sabe quando estarão disponíveis para tal! E pior sempre terminamos com a sensação de que fizemos o melhor, mas não o suficiente. Quiserámos ter bolsas em número suficiente para contemplar a todos, mas o máximo que conseguimos é minimizar as dificuldades de alguns, dizendo aos demais que lamentamos não ter mais nada a fazer, torcendo para que o programa seja contemplado com mais e mais bolsas! É isso!

sexta-feira, 3 de março de 2006

42º DIA - Alaska

Nada demais apenas uma viagem psico-existencialista-freudiana-turísitica pelas inóspitas regiões do Alaska!
* Recomendação da Tia Rita!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

41º DIA - Maternidade (Conto)

Sentado em seu meu escritório, busco refugiar-me na bebida, nos livros já ultrapassados. A noite se anuncia, trazendo consigo a chuva. A lareira ilumina e aquece o ambiente, como se fosse possível afastar as trevas e o frio, presente em cada parede desta casa. O corpo por vezes me trai, me faz adormecer na poltrona, mas meus fantasmas me fazem acordar a um tempo; as janelas abertas, as cortinas balançando e a chuva inundando a sala. Posso escutar por toda a casa os passos secos de minha esposa, seu riso histérico, que a dias me tortura. Trancado em meu escritório, desejo não poder escutá-los, mas nem mesmo a bebida consegue me fazer distrair. Há muito a sanidade se foi nessa casa, através dos dias nos enlouquecemos. Minha pobre esposa carrega em seu peito a falsa culpa pelo acidente que vitimou nosso pequeno filho. A idéia desse fato consumiu aos poucos sua sanidade; e agora temo ser eu o próximo, a quem a loucura irá assombrar os dias. Hoje sua miséria tornou-se pior, ria e gritava num concerto tão grotesco, que pensei ter escutado o próprio demônio, zombando de nossa desgraça. A noite, mais uma vez, refugiado em minha sala, esperando que seus passos e seus lamentos cessassem, vencidos pelo sono, para então poder também descansar, fui vencido pela bebida e mais uma vez adormeci. O despertar me veio angustiante, como se o silêncio decretasse ser aquele o pior momento do meu pesar. Percorri a casa freneticamente em busca da minha esposas, e sua falta a cada instante mais me desesperava. Na porta do quarto de minha criança me detive; no chão marcas de lama. Com o coração tomado por medo, delicadamente abri a porta, e no quarto enfeitado por lembranças e poeira, encontrei a figura fantasmagórica de minha mulher; o peito desnudado a alimentar com seu leite o corpo inerte e fétido de nosso filho.
*Com esse conto fui premiado no Salão Universitário de Expressão de Criatividade da Universidade Federal de Viçosa.